A moeda chinesa, o Yuan, é uma moeda internacional?

No final do mês de setembro, duas notícias relacionadas ao Yuan, a moeda nacional chinesa, percorreram o mundo. A primeira era a de que o Banco Central Europeu (BCE) havia decidido renovar seu contrato de swap de moedas com o banco central chinês. A segunda era a de que o Fundo Monetário Internacional (FMI) havia efetivado a inclusão do Yuan na cesta dos direitos especiais de saque (DES, em inglês Special Drawing Rights – SDR), um ativo de reserva internacional alocado pela organização a seus membros.

O que essas notícias têm em comum? A busca do governo chinês em ascender o Yuan ao status de moeda internacional. Uma moeda internacional é aquela transacionada globalmente em mercados financeiros e utilizada como meio de pagamento em operações de comércio. Bancos centrais costumam deter reservas nessas moedas para intervir em seus mercados.

O dólar americano é a principal moeda internacional, desde a concepção do sistema de Bretton Woods. O euro, a libra esterlina e o yen japonês são também moedas internacionais. Todas elas também integram a cesta dos DES do FMI e são passíveis de serem convertidas em outras moedas. Apesar do DES ser ainda pouco relevante globalmente, enquanto ativo de reserva internacional, a inclusão do Yuan em sua cesta tem significado simbólico importante. Em primeiro lugar, é o reconhecimento pelo FMI de que a moeda chinesa tem alguma representação no sistema monetário internacional, para além do peso global da economia chinesa. A segunda é a de que a China tem evoluído em suas reformas no sistema financeiro e no mercado de câmbio para tornar o Yuan uma moeda com maior grau de convertibilidade.

E a notícia sobre swap entre o BCE e o banco central chinês? Uma linha de swap cambial é um acordo entre duas autoridades monetárias para troca de suas moedas. O swap permite que um banco central possa obter liquidez em outra moeda, emitida pela autoridade monetária parceira. Contratos de swap podem ser utilizados para financiar intervenções em mercado e, desde a crise de 2008, têm se tornado uma relevante ferramenta jurídico-econômica para prevenir crises e assegurar estabilidade financeira. Para além do acúmulo de reservas por bancos centrais, essa ferramenta permite acesso automático e rápido a moedas internacionais – para quem é, evidentemente, contraparte desses acordos.

O governo chinês têm mais de 30 contratos de swap, celebrados com diferentes autoridades monetárias em países desenvolvidos e em desenvolvimento. O intuito é promover liquidez em Yuan e incentivar seu uso internacionalmente. Se essas ações políticas serão efetivas em competir com o dólar em transações internacionais, ainda se está por ver. No entanto, parece que o mundo está se tornando cada vez mais multipolar, com certo grau de competição entre diferentes moedas.

Camila Villard Duran

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