Fundos de Investimento em Arte: uma alternativa rentável?

Apesar de ser uma atividade pouco exercida no mercado financeiro brasileiro, investir em ativos de arte tem sido uma alternativa praticada e “regulamentada” em diversos países, como os Estados Unidos.

Mas o quanto realmente vale o meu investimento caso eu opte por este segmento?

Primeiro, é importante esclarecer, resumidamente, como funciona o processo de avaliação do bem (valuation) e o quanto ele “custa”. Avaliar uma obra de arte é estimar o seu potencial valor de mercado, mais relacionado a um aspecto financeiro do que estético. Leva-se em consideração diversos fatores como: informações provenientes de consultorias de mercado especializadas; registros de casas de leilão; de colecionadores; dealers; proprietários de galerias, curadores, entre outros atores ligados à atividade. Dessa forma, não se avalia exclusivamente o valor cultural, mas primordialmente o valor monetário passado da obra e a estimativa de valor futuro (modelo econômico híbrido de avaliação).

A avaliação da obra de arte pode ter diversos fins: planejamento sucessório, fiscal, garantia de empréstimo ao credor contra default do tomador e, claro, um meio de investimento no mercado financeiro. Por meio da atividade de valuation, estima-se a demanda de mercado, a liquidez do ativo e outros fatores que levam muitas instituições a exercerem consultoria financeira em arte e ofertarem tal opção de investimento em finanças, como em Fundos de Investimento em Arte.

Alguns prós e contras: alto risco e pouca liquidez. Em pesquisa realizada o ano de 2013 e publicada no site da Stanford Business, estimou-se que o retorno do investimento realizado em arte é menor do que o imaginado pelos investidores no mercado americano. O Índice Sharpe de ativos em arte comparado com ativos de equity era menor (Índice em questão: taxa de ausência total de risco de retorno subtraída da taxa média de retorno do ativo ou portfólio).

A conclusão sobre investimento em arte é clara para os pesquisadores: ao comparar a taxa de retorno e o risco de um portfólio, não necessariamente o de arte chega a ser tão rentável quando comparado aos ativos tradicionais, como ações e debêntures.

O que é interessante notar, no entanto, foi o que aconteceu na crise de 2008: o mercado de ações caiu no periodo de recessão, mas o impacto no mercado financeiro de arte foi  de, aproximadamente, de 4,5%, (Índice Mei-Moses All Art Index – este leva em consideração a perfomance de longo prazo da obra de arte).

O que já atraía os olhares de diversos administradores de fundos e investidores qualificados, fez com que Fundos de Investimento em Arte se tornassem ainda mais atrativos, com enorme potencial de aquisição de obras de arte de alto valor e rentabilidade (um exemplo para checar, Fine Art Fund Group).

Poderia ser uma alternativa interessante aos investidores brasileiros no cenário atual. O exemplo dos fundos de investimento em arte nos mostra uma possibilidade de retorno e segurança em situações de instabilidade financeira ao se investir em ativos não tradicionais.

Nadia Mohamad Waked

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