Em economias desenvolvidas, 95% da moeda em circulação é criada por instituições financeiras privadas

Um artigo de opinião publicado recentemente pelo World Economic Forum aponta um dado interessante: em economias desenvolvidas, 95% da moeda em circulação é criada por instituições financeiras privadas. Governos e bancos centrais não controlam diretamente o volume da moeda(-crédito) na economia. Esse processo de criação monetária “privada” não é, contudo, uma fraude. A moeda criada por instituições financeiras decorre da atividade de empréstimos. São contratos de mútuo, que geram, por sua vez, contratos de depósito bancário (disponibilidade financeira) de titularidade de diversos agentes econômicos. Esse processo assegura a criação de novas unidades de poder de compra para os titulares desses contratos. A moeda em economias desenvolvidas é, juridicamente, uma dívida (um passivo) de instituições financeiras. A moeda nacional é sustentada por uma cadeia complexa de contratos de curto prazo (geralmente, depósitos bancários).

Esse dado tende a revelar também algo relevante sobre poder. Em tempos de crise financeira, a capacidade de Estados soberanos expandirem a circulação de moeda e, portanto, liquidez está diretamente relacionada à sua capacidade em influenciar instituições, notadamente, privadas a concederem empréstimos. O desafio constante de economias desenvolvidas é assegurar que o processo de criação da moeda seja sustentável. O alerta do autor do artigo de opinião, Sasja Beslik, é o de que esse poder “superdimensionado” não tem tido correspondentes medidas de responsabilização. E esse poder tende a gerar instabilidade e crises recorrentes. Instituições privadas concedem crédito sobretudo com base em decisões de retorno no curto prazo, com pouca consideração em relação a interesses de longo prazo relacionados ao desenvolvimento. A sustentabilidade das finanças de um país depende substancialmente da capacidade de Estados responsabilizarem instituições financeiras privadas, responsáveis por emitir moeda-crédito.

Camila Villard Duran

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