Regulação da Moeda

Jurisprudência comentada: o debate judicial sobre a disciplina jurídica da moeda como padrão de valor

2015 – Camila Villard Duran

Revista de Direito Bancário – RDB, vol. 70 – ano 8, 2015

A Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) no 77, até o momento apreciada em medida cautelar pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tem como objeto uma controversa medida de estabilização monetária prevista pelo Plano Real, em 1994. Essa medida estabeleceu uma regra de transição para o cálculo da variação monetária de obrigações jurídicas durante a introdução da nova moeda, o Real. No entanto, a despeito da importância sócio-econômica dessa decisão judicial, o STF parece estar preocupado sobretudo com questões processuais. Mais do que a fuga em direção a argumentos de processo, menos controversos socialmente, o STF deveria contribuir para a construção de um sistema jurídico da moeda por meio da decisão final da ADPF 77. O presente artigo procura identificar os contornos do direito na estruturação do poder monetário durante os planos de estabilização, no intuito de contribuir para ampliar a reflexão pública sobre esse caso. Em primeiro lugar, entendo que a lei, confeccionada para regular o poder jurídico liberatório, compreende tanto a moeda enquanto meio de pagamento como padrão de valor. A moeda é crédito e tem caráter híbrido, isto é público e privado. Para assegurar sua demanda social e o fornecimento desse bem público na economia, o Estado disciplina seu valor em obrigações jurídicas públicas e privadas. É o cerne do regime jurídico da moeda em economias modernas. Em segundo lugar, leis monetárias não interferem em atos jurídicos perfeitos ao regular os efeitos (presentes) de obrigações creditícias constituídas no passado, porque existe uma distinção jurídica relevante entre os planos de validade e de eficácia das obrigações. Essa distinção demarca os contornos da proteção constitucional ao ato jurídico perfeito.

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A Moldura Jurídica da Política Monetária

2013 – Camila Villard Duran

Poder monetário de bancos centrais, sua moldura jurídica e seus mecanismos de prestação de contas e responsabilização: eis um tema altamente complexo e bastante atual que a autora explora em linguagem acessível, sem perder em profundidade e sofisticação de análise. Camila Villard Duran analisa trajetórias e o processo decisório de três bancos centrais no que se refere à política monetária: o Banco Central do Brasil, o Banco Central Europeu e o Federal Reserve. De uma perspectiva jurídica e comparada, a autora revela quais foram e são os mecanismos de accountability criados para esses bancos.
 

Direito e moeda: o controle dos planos de estabilização monetária pelo STF

2010 – Camila Villard Duran

Esta obra visa identificar a forma pela qual o Supremo Tribunal Federal, por meio de suas deliberações, interferiu na implementação dos planos econômicos de estabilização monetária, implementados durante as décadas de 1980 e 1990. A premissa deste estudo é a de que toda reforma monetária pressupõe violência jurídica. Assim, o papel do Judiciário no exercício do controle dos atos dos Poderes Executivo e Legislativo é extremamente relevante para pensar a relação entre o direito e a economia, bem como os limites institucionais ao poder de legislar nesse âmbito.